sábado, junho 21, 2008

Vento, Careta e Felicidade


(São em momentos como esses, quando acordo subitamente de sono leve, que corro à caneta e papel e fotografo imagens longínquas ainda vivas dentro de mim. Naquelas sentadas abaixo da árvore do clube após as aulas de natação, quando achava que nada sabia da vida, estava guardando simples sabedorias a serem cegadas pela futura sucessão de dias turbulentos).

Às vezes, o vento batia forte no meu rosto de repente, meio gelado em meio a tardes quentes, e minha primeira reação era contorcer os músculos faciais em reprovação. Muito mais que um impulso, uma careta era formada por minha cara – retas sobrancelhas pontiagudas acostumadas aos arcos dos sorrisos.

A segunda reação era rapidamente retornar à expressão contente. Meu maior temor era de que o vento passasse e a careta para sempre ficasse, como tantas outras crianças também temiam. Muito mais que impulsos ou expressões faciais forçadas, no final e fundo, estava fazendo sem saber um pacto comigo, uma metonímia de jura à felicidade quando eventuais desconfortos se fizessem presentes.

Terna superstição. O que parecia besteira de criança ou preocupação fútil, foi idéia que se perdeu entre outros tantos temores, tensões, torturas duras do dia-a-dia, talvez concretas, talvez irreais.

Mas afinal, besteira é não optar em sorrir quando os ventos frios da vida sopram – eles podem até parecerem gélidos, mas o que são diante os dias quentes?


Vou tentar pensar mais nisso.



Créditos ao Bruno e à Ma Bertoldi, que me acordaram ontem à noite pelo celular!