terça-feira, março 03, 2009

4 horas da tarde no meu coração:

Pierre Verger.

o sol se põe na praia da memória da minha infância.

O vento úmido do mar preenche meus pulmões de euforia-pacífica,
meu coração-pipa levita céus afora.

Trago o ar denso ao
ponto do meu olhar tonto
se perder na testa franzida:

Os tons pálidos se escurecem claros
e novo ocaso se mostra no acaso.

(Meus pés sentem o macio claro da duna areia-algodão,
meio-chão, meio-não).

4 horas da tarde no meu coração:
o sol se põe na praia da memória da minha infância.

Ser tudo,
cada coisa e instante,
expandir-se por todos os lados e todos os cantos,
bancos,
barrancos e suas quinas.

(Espremer o mundo entre os braços,
guardar o universo no punho cerrado --
senti-lo explodindo no próprio peito?)

Cada hora,
segundo,
instante,
intensos milésimos de segundos
eternos.

O infinito e o eterno,
O efêmero e o micro
em coisa-toda-só.

4 horas da tarde no meu coração:
o sol se põe na praia da memória da minha infância.
.
Quanto mais me sinto Eu,
mais anseio ser Tudo.

Até que não haja mais nada.


4 comentários:

Eric Varga disse...

Senti uma inspiração forte nesse texto. Da até para sentir a meresia!

Anônimo disse...

Quanto mais penso em "EU", mais anseio ser NADA. Assim seja.

A.M. disse...

Quanto mais penso em 'eu', mas noto que sou parte; quanto mais penso em partes, mais noto que só existe o todo.

Renata Mello disse...

Agora o Google "é a arte do encontro".
Coisas da vida pós-moderna...
RS!
Adorei a coincidência! (e o texto)

Beijocas from Bahia,
=)